
Formato: Álbum
Gênero: Música Brasileira / Rock
TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES é um mergulho do, até então, rapper FBC numa experiência no rock hardcore para tentar explicar as mais profundas contradições e convulsões sociais do Brasil contemporâneo.
FBC abre o álbum com a faixa Gênesis (Parto) uma releitura da gravação de João Bosco que por si só "surrealisticamente" fala sobre a origem e formação desse país; “(...) Quando ele nasceu, foi de teimoso, Com a manha e a baba do tinhoso; Chovia canivete.”
Através desses versos que misturam figuras míticas, cenas de violência gráfica, a canção torna-se quase uma poesia recitada na voz de FBC, sobre um país que parece surgir do conflito e da contradição, do genocídio afroameríndio. Ao atualizar o Samba de João Bosco para um Hardcore, atualiza-se também o discurso, à nível de abordar um país ainda racista, feminicida e que ao invés do ouro, entrega suas terras raras para bilionários.
Planet Hemp, Chico Science, Rage Against The Machine, Red Hot Chili Peppers, Pantera… são inúmera referências musicais, mas a força do disco está menos na citação dessas influências do que na maneira como elas são assimiladas para criar uma sonoridade própria. As guitarras não aparecem para aproximar FBC do Rock, mas para ampliar a sensação de atrito que já existia em suas letras.
Entre guitarras distorcidas, baterias aceleradas e linhas de baixo marcantes, FBC preserva a centralidade do Rap como ferramenta narrativa, fazendo com que o Hardcore funcione, vide a participação de Djonga na faixa Homo Sacer, como amplificador da revolta e da urgência presentes nas letras.
Aqui, se constrói uma obra que soa simultaneamente ancestral e contemporânea, como se diferentes temporalidades da história brasileira colidissem dentro da mesma faixa.
FBC constata em seu mais novo álbum, um diagnóstico do Brasil que atravessará todas as faixas de sua obra: um país nascido do conflito, moldado pela violência estrutural e permanentemente tensionado entre suas riquezas culturais, o saqueamento de suas riquezas naturais por potências estrangeiras e suas contradições históricas. É desse Brasil que emergem os tambores, os cafezais, os fuzis e os guaranás que dão nome ao disco. O Brasil é uma máquina de moer gente.
★★★★☆
FBC abre o álbum com a faixa Gênesis (Parto) uma releitura da gravação de João Bosco que por si só "surrealisticamente" fala sobre a origem e formação desse país; “(...) Quando ele nasceu, foi de teimoso, Com a manha e a baba do tinhoso; Chovia canivete.”
Através desses versos que misturam figuras míticas, cenas de violência gráfica, a canção torna-se quase uma poesia recitada na voz de FBC, sobre um país que parece surgir do conflito e da contradição, do genocídio afroameríndio. Ao atualizar o Samba de João Bosco para um Hardcore, atualiza-se também o discurso, à nível de abordar um país ainda racista, feminicida e que ao invés do ouro, entrega suas terras raras para bilionários.
Planet Hemp, Chico Science, Rage Against The Machine, Red Hot Chili Peppers, Pantera… são inúmera referências musicais, mas a força do disco está menos na citação dessas influências do que na maneira como elas são assimiladas para criar uma sonoridade própria. As guitarras não aparecem para aproximar FBC do Rock, mas para ampliar a sensação de atrito que já existia em suas letras.
Entre guitarras distorcidas, baterias aceleradas e linhas de baixo marcantes, FBC preserva a centralidade do Rap como ferramenta narrativa, fazendo com que o Hardcore funcione, vide a participação de Djonga na faixa Homo Sacer, como amplificador da revolta e da urgência presentes nas letras.
Aqui, se constrói uma obra que soa simultaneamente ancestral e contemporânea, como se diferentes temporalidades da história brasileira colidissem dentro da mesma faixa.
FBC constata em seu mais novo álbum, um diagnóstico do Brasil que atravessará todas as faixas de sua obra: um país nascido do conflito, moldado pela violência estrutural e permanentemente tensionado entre suas riquezas culturais, o saqueamento de suas riquezas naturais por potências estrangeiras e suas contradições históricas. É desse Brasil que emergem os tambores, os cafezais, os fuzis e os guaranás que dão nome ao disco. O Brasil é uma máquina de moer gente.