Crítica | Sem Fronteiras


Selo: Far Out Recordings
Formato: LP
Gênero: MPB, Bedroom Pop, Lo-Fi


★★★½☆


O recém lançado “Sem Fronteiras”, terceiro álbum do compositor e multi-instrumentista Bruno Berle, nos entrega na maior parte do tempo instrumentais elaborados que se misturam com a simplicidade das letras. O disco é fruto das andanças do artista entre cidades do Brasil e da Europa e do estreitamento de laços com seus conterrâneos Nyron Higor, João Menezes e seu parceiro de longa data Batata Boy, que colaboram diretamente na produção e composição das faixas.

O artista alagoano se mostra bem mais livre nesse trabalho para criar músicas fora do convencional e boa parte delas sem trechos cantados se comparado aos seus discos anteriores (Reino dos Afetos 1 e 2). Além disso, há uma dedicação em criar ambientes intimistas que nos transportam automaticamente para dentro da obra, embora em momentos pouco inspirados a mesma intimidade nos distancia de seu conteúdo.

Existe uma clara distinção de duas fases em “Sem Fronteiras”, a parte inicial apresenta uma atmosfera noturna, como se simbolizasse as longas viagens que o artista fez antes de voltar para casa, com instrumentais marcantes como a predominância de sintetizadores, baterias e pianos.

As faixas combinam o bedroom pop e lo-fi com o MPB de uma forma que só ele sabe fazer. Em “Você Já Sabe Que Eu Te Amo”, feat com o Nyron Higor e em “A Noite De Estrelas”, Berle apresenta lindos vocais de apoio que criam uma profundidade sonora e dão mais intensidade às faixas. A produção musical atinge seu auge em “Outra Noite”, quando rompe com os sintetizadores e dá espaço ao violão e à percussão.

Os pontos baixos do álbum são a apática “Não Posso Viver Sem Você”, da qual os hi-hats e sintetizadores não se mesclam com as letras cantadas por Berle, e a tropicalística “Amor Inteiro”, que, mesmo sendo interessante por utilizar self-sample da faixa “Som Nyame”, de Reino dos Afetos 1, o resultado acaba sendo bagunçado e longo além da conta.

“Amor Inteiro”, inclusive, abre o segundo momento do disco, em que ele toma um rumo solar, definido por violões, elementos orgânicos e live-in-studio, embora a ótima “Ideias Mágicas” retome os sintetizadores. Se no início Berle estava em uma viagem noturna interminável, aqui ele finalmente chega em casa e nos permite passear por seu íntimo.

As faixas live-in-studio são genuinamente sensíveis e emocionantes, “Manhã” é a prova disso, com sua estrutura e letras simples, é uma das melhores músicas do álbum. A faixa-título “Sem Fronteiras” tem o instrumental mais lindo de todo o disco, ela encerra a obra como se estivéssemos ali ao lado dele, o ouvindo balbuciar palavras e tocar violão, o que traduz bem o cerne conceitual de Sem Fronteiras: encurtar as distâncias.

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