O C6 Fest é um evento que sempre traz uma ótima curadoria de artistas da cena alternativa, e essa edição de 2026 foi uma das mais chamativas até agora, reunindo nomes consolidados como The xx e Robert Plant.
O festival já começa acertando pela localização. O Parque Ibirapuera é um dos principais pontos turísticos de São Paulo e sempre respira arte e cultura. Além disso, os palcos usados no festival são charmosérrimos. Principalmente a Tenda MetLife, que não é um espaço gigante, mas por ser semiaberta acaba trazendo um ar aconchegante. A Arena Heineken também funciona muito bem e dá para enxergar o palco de praticamente qualquer ponto. À noite, ainda ligam um projetor que transforma os paredões brancos acima do palco em um super telão.
Outro ponto positivo foi conseguir andar pelo festival sem esbarrar em influenciadores aleatórios que nem parecem saber o que estão fazendo num festival de música. Também não existiam ativações de marca espalhadas por todos os lados, o que só reforçou que a música era realmente o elemento principal do evento. E isso deveria ser o básico, mas muitos festivais grandes acabaram virando praticamente um parque de diversões.
Mas nem tudo são flores. Infelizmente, aconteceram alguns problemas técnicos, como som baixo em alguns shows e exageradamente alto em outros. Algumas pulseiras usadas para consumir comidas e bebidas dentro do festival também deram problema na hora da recarga. Isso aconteceu comigo uma vez, mas a equipe me ajudou rapidamente e foram super queridos. As filas para os comes e bebes também ficaram enormes depois de alguns shows. Infelizmente, passei quase todo o show do BaianaSystem na fila de uma pizzaria que tinha por lá.
Melhores shows
Claro que não consegui assistir a tudo o que queria, infelizmente ainda não sou onipresente para aproveitar 100% da experiência desse festival incrível. Queria muito ter visto Beirut, por exemplo, mas o horário bateu com o show da Oklou, que era uma apresentação que eu estava bastante curiosa para assistir.
Baxter Dury
Esse show eu quase perdi porque estava cogitando parar para comer alguma coisa naquele horário, mas ainda bem que desisti dessa pausa. Eu não conhecia muito o som dele, (faltou pesquisa da minha parte mesmo), mas uma das melhores coisas dos festivais é justamente descobrir artistas novos. A performance energética e ousada dele me cativou completamente. Ele tem uma presença de palco irresistível e, desde então, “Allbarone” e outras músicas não saem dos meus fones de ouvido.
The xx
Os headliners de sábado transformaram a Arena Heineken numa verdadeira pista de dança a céu aberto. Uma das bandas mais consagradas de sua geração, eles não ficaram apenas nos hits antigos: também misturaram elementos eletrônicos dos projetos solo de Jamie xx e Romy. As projeções nos paredões deixaram tudo ainda mais bonito, com jogos de câmera que me hipnotizaram naquela noite. O show terminou com a intro do primeiro disco, encerrando a apresentação de forma elegante e marcante.
Wolf Alice
Eles foram uma das minhas maiores motivações para comprar o ingresso. E valeu cada centavo. Para mim, foi o melhor show dos dois dias. Mesmo sem estarem no palco principal do festival, a tenda ficou completamente lotada. A setlist passou pelos maiores hits da banda, alternando momentos mais energéticos e rockers com outros mais introspectivos. A conexão do público com a banda foi o que mais brilhou ali. Os integrantes pareciam genuinamente felizes e emocionados com o carinho dos fãs. E os vocais de Ellie Rowsell impressionam ainda mais ao vivo. O momento mais bonito foi o coro da plateia em “How Can I Make It OK?”.
Magdalena Bay
Ok, isso pode ser meio polêmico, porque esse foi um dos shows mais criticados do dia, mas a culpa definitivamente não foi deles. A banda acabou prejudicada tanto pelo horário da apresentação, marcada às 15h30, quanto pela escolha do palco principal, o Arena Heineken, que não favorecia a estrutura visual pensada para o show. Além disso, o som estava baixo. Dava para ouvir, claro, mas apresentações desse tipo precisam de volume alto para realmente envolver o público. Mesmo assim, o duo se esforçou bastante, entregando músicas que eu sou completamente apaixonada, looks babadeiros e uma estética completamente caótica no melhor sentido possível. E confesso que fiquei imaginando o que os fãs do Robert Plant estavam pensando daquela loucura toda ali na frente deles.
Oklou
Foi a maior surpresa do festival. Até quem não conhecia o trabalho da francesa saiu encantado com a delicadeza dela, que apareceu no palco com um caderninho cheio de anotações tentando falar em português com o público. Fofa. O show tem uma estética minimalista, mas tudo parece pensado com muito cuidado. Ela ainda trouxe um toque de humor brasileiro ao inserir um sample de gol do Brasil no meio das músicas. O momento mais lindo foi, sem dúvidas, “harvest sky”, que levou a plateia à loucura e elevou a energia lá para cima. Sabe quando a Lorde cantou “Ribs” naquela edição do Primavera Sound São Paulo? Foi tipo isso. E, assim como o Wolf Alice, ela estava nitidamente feliz e emocionada em cima do palco. Tenho certeza que ela voltará em breve para o Brasil.
Lykke Li
A sueca surgiu em meio à fumaça numa apresentação minimalista e até sombria, trazendo hits emotivos como “I Never Learn” e “No Rest for the Wicked”. Ela também animou a noite com músicas mais energéticas e dançantes de seu trabalho mais recente, além de arriscar cantar completamente em português a música “Sozinho”, eternizada na voz de Caetano Veloso. Foi um jeito bonito de demonstrar valorização a nossa cultura. O show terminou com o seu maior hit “I Follow Rivers”, e naquele momento a tenda pareceu pequena demais para ela. A plateia foi à loucura aos berros de A A FOLOU.
Sem dúvidas, essa foi uma edição de colecionador do C6 Fest. Já estou ansiosa para descobrir o que o festival vai trazer no ano que vem. Espero ter novas descobertas incríveis de novo, mas também adoraria ver nomes como Erika de Casier e Robyn no line-up.
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