Crítica | Estreito


Selo: El Prat
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop. / Abstrato, Boombap.

 

★★★☆☆ 

 

A antecipação para este projeto era uma das altas possíveis, de minha parte.

Victor Xamã tecia comentários repletos de confiança e assertividade atrelado a um instrumental que literalmente implorava por tal performance completamente clínica. Apareceu foi uma das minhas apostas e continua sendo, em opinião, o melhor single de hip-hop do ano. Parecíamos que iríamos ver algo completamente estrondoso e um indicativo de um álbum clássico dentro do escopo do hip-hop contemporâneo.

O que sobra é decepção.

Desapontamento não pela performance de Victor, que, inclusive, entrega talvez uma das suas melhores técnicas em sua carreira. Os instrumentais do produtor sul-coreano, que flertam com o jazz rap, o boombap e permeia com precisão no hip-hop abstrato ajudam a puxar e a extrair os melhores flows, métricas e conteúdos líricos de Victor desde Verde Esmeralda, Cinza Granito. Mas, logo após da primeira faixa, iríamos ver o porquê deste álbum ter estagnado no status de potencial.

As participações, em sua maioria, simplesmente não funcionam. Destaque negativo para os versos completamente reciclados de flows e conteúdos pelos artistas DYNASTY e Akira Presidente, este último que entrega algo semelhante ao seu álbum Fa7her, lançado a quase 10 anos atrás. O artista parece ter ficado em certo conflito com o tempo, e, em um instrumental que respirava originalidade, seja pelo toque inusitado de nomes como Cravinhos e SonoTWS, o artista carioca vai em uma direção totalmente oposta. 

Estreito funciona com primor quando a voz de Victor e a complexidade instrumental de Wills se tornam a voz principal. Quando dividindo o tempo de duração, o álbum encontra o seu primor, seja técnico, seja lírico, seja em sua construção de conceito. A inserção de um interlúdio cantado por Carla Sol soa até agradável na superfície, mas pouco funciona no escopo plural do projeto.

Estreito é o projeto que mais exemplifica o quão a curadoria de um projeto é necessária. Sem a inserção de tais vozes mencionadas, o álbum se torna, pelo menos em um curto período, uma magnitude em ambas as carreiras. Xamã ainda mantém o seu status de artesão fino do hip-hop, mas falha em entregar mais um álbum estilizado e reverenciado. Estreito se torna apenas um bom álbum, sugado pelas vozes que tanto insistiu em complementar. Em suma, um grande potencial desperdiçado. 

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