Crítica | COLAPSO

        

Selo: TRATTO ENTRETENIMENTOS

Formato: EP

Gênero: Funk Mandelão

★★★½☆


    Após o fenômeno 'MANDELA CLUBBER', DJ Mariachi entrega um ‘COLAPSO’ em 4 faixas que apresentam um pouco da essência do funk mandelão e automotivo, tensionando esses elementos com sintetizadores distorcidos muito bem utilizados, abusando do efeito “serrotado” e comprimido, um artifício muito bem explorado e utilizado durante todo o trabalho.

    Diferentemente da tendência de uso corriqueiro do tuim — que aparece de forma mais tímida em “Planeta das Bct” — dessa vez são os baixos eletrônicos com filtros automatizados que tomam o espaço para construir uma atmosfera mais electro house, combinados com acapellas cativantes dentro de uma linguagem bastante única que MARIACHI está desenvolvendo.

    A faixa inicial, “Parquin do Casa” serve para contextualizar o projeto em um tempo e espaço que servem como ponto de partida para os desdobramentos do EP, tendo em vista que a acapella presente é muito famosa em hits de D.Silvestre e outros DJs que utilizam a mesma ambientação, porém com um toque de Mariachi no fazer eletrônico, que em certo momento remete ao eletrofunk da cena curitibana e catarinense.

    O trabalho expõe sua face mais interessante na segunda e na quarta faixa, em que os drums do funk conduzem o ouvinte a um certo estado de transe repleto de momentos que se transformam e criam uma verdadeira montanha russa experimental entre o funk e os sintetizadores. No final, somos acompanhados pelo mesmo beat motorizado à la 'Satisfaction', que se dissolve em tantos outros barulhinhos eletrizantes que dominam os ouvidos.

    Já podemos considerar o trabalho como um grande destaque do primeiro semestre e DJ Mariachi (que já é um hitmaker) uma grande aposta para as principais pistas mundo afora, trazendo sua visão autoral da tensão clássica entre o funk e outros gêneros da música eletrônica.

Lucas Granado

Mestre em Letras, nascido em Curitiba nos anos 2000. Me considero um híbrido entre as gerações 'y' e 'z', o que me torna explorador dos clássicos, mas também aberto às novidades do mundo da música. Participo da curadoria de Funk do Aquele Tuim desde 2025.

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