
Selo: Independente
Formato: EP
Gênero: Experimental, Ambiente
Formato: EP
Gênero: Experimental, Ambiente
★★☆☆☆
Com uma proposta bem mais etérea do que o álbum anterior, haana lee traz em deconstructed, inicialmente uma experiência minimalista, que tensiona os limites do que a sustentação de uma única nota pode proporcionar. Se em textures, a artista havia um esforço estético no que diz respeito à ambiência e à forma com que os sons seriam percebidos, em deconstructed fica a critério da sua abstração definir se existe uma aura angelical, como se o Yamaha YC-30 fosse operado no limiar da fantasia, ou se tem alguém preso, desesperado tentando se comunicar, através de um teclado que só te entrega a mesma nota.
Para quem quiser se deixar levar pelo lúdico, é possível encontrar tons mornos que acolhem e acalmam, é um estímulo para enfrentar a aflição do processo de cicatrização, como o zunir de fadas que cintilam em uma língua desconhecida. Apesar disso, é extenuante, e, por vezes, exaustivo receber o som estridente de maneira ininterrupta nos seus tímpanos. As faixas são longas numa tentativa, nem sempre coesa, de prover imersão. Talvez seja necessário um estado de transe anacrônico em relação ao momento em que nossa sociedade se encontra, para aproveitar por inteiro esse exercício de desapego e meditação.
Em contraposição, like the changing tides, experimenta como a súbita troca de notas provoca uma quebra de aclimatação. Você chega de like a river, que é muito bem demarcada pela sua insistência no transe uníssono e escassez de elementos para preencher aquele espaço, e encontra uma experiência que aponta em direção à mudança. É nessa diferença que o projeto ganha profundidade e aponta em direção a esse processo de caminhada à cura. Não se tem só a angústia incessante em primeiríssimo plano, existe espaço para novos matizes e tons que florescem aos ouvidos.
Já em it will come naturally, haana mostra que existe uma progressividade no caminho percorrido desde o início do EP até aqui. Ainda é perceptível que existe uma agonia, mas agora é povoada. Guiados por diferentes acordes, acompanhados de intervenções intermitentes de outros sons, que conduzem o cérebro ao relaxamento que se busca numa recuperação.
Existe uma indução ao transe tranquilizador que se espera ao final do processo de cicatrização. Quando o silêncio chega, ele traz uma paz que parece pertencer à sua mente.