Crítica | "Bandido Bom"

Selo: XEQUE MATE ESTÚDIOS
Formato: Single
Gênero: Música Brasileira/ Rock


“BANDIDO BOM” é o single que antecedeu o novo álbum do rapper mineiro FBC, experimentando novas sonoridades e estéticas em TAMBORES, CAFEZAIS, FUZIS, GUARANÁS E OUTRAS BRASILIDADES

O desejo de movimento é sentido no processo de se deslocar do rap ao rock, gênero que pauta esse single e pautará o novo trabalho de FBC. Já consolidado no rap, ele é uma das mais provocativas e mordazes vozes do cenário atual, e ao ir de encontro ao rock, FBC traz consigo sua lírica embebida na crítica social e política.

O som que pede “Sem Anistia” no contracanto do refrão, vem guiado por uma bateria bem marcada e pelos solos de guitarra que gritam a atitude punk quase como uma participação especial dos vocais cheios de textura e efeitos da revolta ainda mergulhados em scratches e efeitos assinados por DJ Cost e BAKA (Ex-Rosa Neon). A aproximação com a musicalidade do Planet Hemp e do Rage Against the Machine surge como referência possível, ainda que conservando a identidade de FBC no interior da faixa.

Se no debate de segurança pública, a frase “Bandido bom, é bandido morto” é comumente usada como jargão por políticos de extrema-direita, na obra de FBC, essa ideia é deslocada para o banditismo real, das estruturas, do terno e da gravata, que carrega cocaína no avião da Força Aérea Brasileira, da impunidade hegemônica em nosso país.

Cria da Cabana do Pai Tomás uma favela de Belo Horizonte, FBC, provavelmente conhece a multiplicidade de significados que o termo “bandido” tem, no dialeto das favelas do Brasil, ser chamado de bandido, não tem puramente o seu significado literal, mas é também subvertido para um aceno carinhoso aos amigos mais íntimos, assim como na introdução do clássico dos Racionais, Vida Loka Parte 1, mas aqui, ele questiona o por que quando as elites cometem crimes, são chamadas de rés enquanto o “ser bandido” é de uso exclusivo de uma classe social, de um recorte geográfico a favor de uma narrativa unilateral.

Para todos os efeitos, FBC não reza para pneu nem bate continência para bandeira estrangeira, cria para si, uma musicalidade com características próprias, trazendo consigo o que lhe consagrou, mas sem nunca deixar de experimentar em forma e gênero, afortunadamente para o público.
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