
Selo: OVO / Republic Records
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Pop Rap
★★★☆☆
Como se colocar como grandioso quando toda a sua base e reputação são desmanteladas e todo um país canta em uníssono mentiras a respeito do seu nome? Drake realmente viveu tempos sombrios em meados de 2024, quando a Guerra Fria, que se estendia por quase meia década, implodiu entre músicas energéticas e análises de persona. E, quando o ‘lado americano’ colocou talvez um dos maiores hits da última geração nas graces do povo, o canadense se viu em uma reclusão forçada.
Desde então, o hip-hop mudou por completo, passando por uma reformulação que transformou o gênero dominante das paradas em um mero coadjuvante. É talvez um pouco duro culpar o americano Kendrick Lamar por tal consequência, mas é a verdade. A disputa incessante entre as duas maiores potências do gênero dividiu ainda mais um gênero que pede união, mesmo tendo a sua grande cota de disputas árduas dentro do seu circuito. Mas, aqui, padrões foram cruzados, algo antes visto apenas na infame disputa entre Notorious B.I.G e Tupac Shakur, e você sabe como ela terminou.
E agora, após a demonstração de dominância de Kendrick, Drake volta com o seu lado da história, dois anos após esse isolamento forçado, mas, a respeito de sua persona, nada mudou. Drake, além de se recusar a aceitar o papel de perdedor e vilão, se recusa a expelir os seus próprios defeitos e angústias, jogando pequenos jabs naqueles que o traíram, mas nunca aceitando se olhar no espelho e reavaliar as suas próprias escolhas, transformando o seu choro a respeito daqueles que o prejudicaram em lágrimas de crocodilo.
A tentativa de reafirmar o seu status quo como rapper que vai além da cantoria sai pela culatra, afinal, não há nada dentro desse álbum além de alguns instrumentais clássicos de boombap com alguns samples interessantes (Make Them Remember, Firm Friends, Dust), reafirmações sobre a sua masculinidade abrasiva com camadas de um inerente machismo (Ran to Atlanta, B’s on The Table) e algumas pinceladas dentro da sua psique, mas que soam tão esporádicas que você raramente consegue se conectar com o homem por trás do microfone.
O álbum funciona melhor quando o artista toca na superfície de sua introspecção, oriunda da disputa já citada anteriormente. Make Them Pay, que é levada por um sample de Deniece Williams, e, entre referências culturais, vemos uma migalha do ponto de vista mais íntimo e pessoal sobre os tempos daquela batalha. Drake quer ser entendido, quer ser amado, mas pouco se faz perguntas, pouco se questiona, apenas ordena e deixa o seu ego falar mais alto, a sua incessante busca por conquistas que, dentro de uma reputação frágil, nada em reparação traz.
Aubrey busca o reflexo da trajetória de Jackson, seja o brio em superar-lo, a megalomania por conquests, a liberdade das amarras que as gravadoras o colocaram, mas ainda maior se torna a distância entre ambos. Michael Jackson se demonstrava frágil e introspectivo até demais em seus momentos finais de carreira.
‘’What happened to Drake with the innocence? I don’t think we’ll be seeing him again’’ rima no fechamento do álbum, colocando-se enclausurado entre a sua masculinidade afirmativa e a inabilidade de se conectar inteiramente com aquele que o escuta. E é isso que transformava Jackson em humano: a inocência, o não medo de ser a sua completa versão, o ser humano.
Drake é o retrato do homem moderno: canta para mulheres e tenta ser o mais másculo possível, mesmo quando é posto no chão. Tá tudo bem chorar, tudo bem ser vulnerável. E seria isso que o colocaria como o perdedor vencedor.
Mas ele prefere ser patético, superficial. E tá tudo bem também. Mas dificilmente será excelente.

Selo: OVO / Republic Records
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Pop Rap
★½☆☆☆
Não há como negar o apelo mundial de Aubrey Graham e a sua versatilidade palpável. Parte de uma trilogia que serve como quebra de contrato forçado em que se via com a sua gravadora e com o objetivo de entregar à sua grande leva de fãs as suas três grandes facetas, Aubrey Graham demonstra, entre batidas que incorporam o dancehall, o miami bass e o afrobeat já vistos em sua discografia, o quão superficial pode ser a sua entrega, mesmo com instrumentais que soam divertidos e dançantes em certos momentos.
Quando apertamos play neste projeto, se podemos classificar assim, é claro vermos o pouco cuidado, a falta de proposta e as participações que pouco empolgam ou trazem um frescor durante a sua execução. Com uma proposta clara de ser tocada em clubes ao redor do mundo, Drake faz a sua versão menos empolgante de Honestly Nevermind, que, mesmo com a sua medíocre densidade, ainda trazia conceitos interessantes e execuções vocais que o faziam um projeto a ser observado. Aubrey Graham não quer ser levado a sério, mas, mesmo vendo-o como um projeto completamente desliga cérebro, não há momentos que trazem divertimento ou sejam interessantes de ouvir. O criticado single com Central Cee, ‘Which One’, com uma performance vocal tediosa de Drake, se torna um ponto alto dentro do álbum, se potencializando pelo instrumental que passa de um dancehall mais sórdido para um afrobeat inspirado e até conciso.
Poucos são os momentos que valem a atenção do ouvinte, mesmo que ela seja mínima. ‘’True Bestie’’, com um instrumental que coloca o ouvinte dentro de uma atmosfera bem crível de uma boate de Atlanta, tem uma performance enérgica de Iconic Savvy, que traz vida à música junto de um trompete tímido. É o tipo de música que seria hit se Drake soubesse se equiparar com a sua dupla, mas falha por uma performance monótona e sem vida.
MAID OF HONOUR potencializa os defeitos de Drake em sua própria tentativa de ser global. É uma pluralidade que torna o artista patético, e definitivamente um dos álbuns mais fracos de sua discografia, se não o pior.

Selo: OVO / Republic Records
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Pop Rap
★★☆☆☆
Disco final da trilogia de lançamento do artista Drake, HABIBITI vem com a proposta de ser um disco focado mais na intimidade do artista, buscando a utilização de vozes pouco ou já conhecidas dentro do seu universo para adicionar camadas de reflexões sobre relacionamentos interpessoais, amorosos e decepções oriundas destas. Mas o que sobra no final é um álbum que não empolga tanto quanto Some Sexy Songs 4 U, que oscila de qualidade, mas demonstra inúmeras perspectivas, seja utilizando o exercício do ego masculino dentro de um relacionamento, a introspecção de uma noite solitária. Aqui, Drake não sabe a direção que quer caminhar e, atrelado a instrumentais pouco interessantes e entregas monótonas, forma mais um álbum de caráter esquecível dentro de sua carreira.
Mas, em comparação com MAID OF HONOUR, aqui ainda há momentos mais concisos e mais empolgantes, mas são tão esporádicos que você consegue apenas achar realmente estimulante quase 10% de um álbum de quase 40 minutos. WNBA flerta com o bom uso de autotune e os beat switches que têm se tornado característica atual do artista. A primeira parte, mais hipnótica e com o uso de vocais emprestados de seu contemporâneo e frequente colaborador PARTYNEXTDOOR, faz com que esta seja a parte mais interessante de todo o álbum em geral. A construção da música em si é empolgante, e a que se segue, ‘’Slap The City’’, flerta bastante com o trapsoul que ajudou a fomentar após a inserção do gênero por outro contemporâneo e frequente colaborador, Bryson Tiller. A voz doce e suave de Qendresa traz um toque mais harmônico e romântico para a faixa, mas, adepto à troca de instrumental, o artista volta a se utilizar, com o tiro saindo pela culatra e tirando completamente o ouvinte da faixa. O momento se perde e não volta a reaparecer durante toda a execução do álbum.
HABIBITI tem ideias que soam empolgantes, mas que não são desenvolvidas com o cuidado suficiente, e é evidente a mão de inúmeros colaboradores em várias faixas, tornando-se mais uma colagem abstrata, mas pouco concisa no final, como se vários artistas tivessem pincelado um canvas de olhos fechados. Não há consistência, não há identidade característica. Apenas ideias e momentos que se tornam tão mínimos que nos perguntamos se alguém realmente tocou esse álbum por inteiro antes de entregá-lo para os serviços de streaming. Aqui, Drake se mostra um pouco mais Drake, mas falta muito para ele se tornar bom o suficiente para manter o nível por 40 minutos.