
Selo: AWAL
Formato: LP
Gênero: Hip-Hop / Experimental.
★½☆☆☆
JPEGMAFIA entende que tem uma base leal de fãs que irá consumir qualquer tipo de experimentação arbitrária que o mesmo se propor a fazer. É quase como se ele tivesse descoberto uma máquina de fazer dinheiro infinito. Cole samples sem cuidado ou curadoria nenhuma em qualquer momento da música, misture gêneros dispersos e aumente o volume das baterias e snares em músicas. Pronto. Na visão de JPEGMAFIA, isto é a epítome, o panteão do rap experimental. Se o mesmo confirma que é único no que faz, se colocando em um patamar acima dos seus contemporâneos, é porque acredita que está se diferenciando, de certa forma, daqueles que cultivaram o gênero durante décadas. E ele tem uma certa valia nisso, mas, nos dias de hoje, suas músicas viraram muito mais um teste de resistência do que algo realmente que interessa.
O que mais incomoda vai além das colagens disfuncionais, é a inabilidade de JPEG em realmente dizer algo em suas faixas. Em sua absurda maioria, é apenas uma reafirmação de sua masculinidade agressiva, reforçada por estereótipos que estavam distantes no meio do hip-hop, como a afirmação de sexualidade firme que faz desde o início de sua carreira, falando que está disposto a roubar a sua mulher ou o seu dinheiro, ou a sua dignidade.
Se em All My Heroes Are Cornballs o rapper dissertou sobre a peculiaridade dos avanços tecnológicos, discutia questões sobre sexualidade e religiosidade, 6 anos se passaram e o artista, que invés de progredir artisticamente, parece ter se entregado ao vazio, fazendo pequenos avanços estéticos mas nenhum tipo de desenvolvimento. Faço as palavras de Tiago as minhas: No fim, realmente JPEGMAFIA acredita que pode lançar qualquer coisa, afinal, sua comunidade parece tão escassa de algo minimamente complexo, que qualquer barulho fora do comum e referência vazia seja considerado experimental.